quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ufa!

Hey, Filósofos, sonhadores, cremes de vanilla e afins...
O blog não morreu! O fim não tem fim... Vocês sabem bem disso.
Vou colocar aqui mais um presente pra vocês e espero que comentem! Para aliviar a tensão F*** do vestibular!
- Quê??? Existe coisas além disso?
- Claro! Através do espelho, para fora da caverna, além do horizonte tem muito mais coisas. Ou não não.
Aqui vai um belo texto de Kant. Meus amigos, leiam e digam o que pensam disso. Kant é F**!
Para ajudar: esclarecimento = iluminismo.
abraço a todos!
Romulo V. Braga

Kant - O que é esclarecimento?

O esclarecimento é a saída do homem da condição de menoridade auto-imposta. Menoridade é a incapacidade de servir-se de seu entendimento de um outro. Esta menoridade é auto-imposta quando a causa da mesma reside na carência não de entendimento, mas de decisão e coragem em fazer uso de seu próprio entendimento sem a orientação alheia. Sapere aude! Tenha coragem em servir-te de teu próprio entendimento! Este é o mote do Esclarecimento.
Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarados livres da orientação alheia (naturalter maiorennes), ainda permanecem, com gosto e por toda a vida, na condição de menoridade. As mesmas causas explicam porque parece tão fácil outros afirmarem-se como seus tutores. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem consciência por mim, um médico que me prescreve dieta, etc.: então não preciso me esforçar. Não me é necessário pensar, quando posso pagar; outros assumirão a tarefa espinhosa por mim; a maioria da humanidade (aí incluído todo o belo sexo) vê como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado, para que estas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos quais devem andar, os tutores lhe mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar; basta, no entretanto, o exemplo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam novas tentativas.

4 comentários:

Unknown disse...

Isso quer dizer que a tensão do vestibular (que involve a angústia - de se fez a escolha certa, o medo - de não conseguir se inserir numa universidade- e a ansiedade para "descobrir" tudo isso) é resultado da covardia e preguiça que fazem com que soframos a menoridade e, portanto, a falta de esclarecimento.
E a falta de esclarecimento inclusive é confortável ao mal esclarecido, como se o "peso" da responsabilidade pelo insucesso/desistência/perda fosse menor. Entretanto nem é isso o que acontece. Como foi ELE que escolheu, sofrerá sozinho as consequências de suas escolhas. Sendo assim, as escolhas devem seguir o esclarecimento, ou seja, elas devem provir de fundamento mais autêntico possível, sem orientação alheia, para que tensões, como a do vestibular, não ocorram. (eu entendi bem?)

Natália Torres disse...

Pelo que eu entendi, esse texto do Kant eh uma bela análise (belissima aliás) sobre os motivos para a condição de 'ignorante' que uma gigantesca parcela das pessoas são classificadas. Pelo que Kant disse, eu entendi que o motivo de toda essa ignorancia é a preguiça e o desinteresse em buscar cada vez mais conhecimento do mundo, da coisas, afim de chegar ao esclarecimento. Tah certo?

Bom, pode ser que está certo...eu não sei, mas a palavra "preguiça" nunca me soou tão forte como agora, a partir desse texto. hahaha, eu sou uma pessoa extremamnte preguiçosa então.

Mas, falando sobre esses "patrões" que moldam seu "gado" para que eles temem o esclarecimento... Estes, também tem preguiça de buscar mais conhecimento? estes também tem desinteresse em sair da condição de menoridade, e, por algum motivo, não querem que outras pessoas também não cheguem a este patamar de esclarecimento,afim de consolidar seus interesses? Deu pra entender? Isso pode se assemelhar aos nossos queridíssimos políticos que não querem que os "coitadinhos" dos pobres não obtenham nenhum tipo de educação cientifica, para não se conscientizarem da exploração a qual estão sendo submetidos. POde ser, essa semelhança?

Bom, foi isso que eu entendi do texto. Não entendi muito bem o ponto da Paulinha, mas vamos conversar mais sobre esse assunto. interessante!
bjs!

Unknown disse...

O que eu quis dizer é que a covardia (não querer assumir a responsabilidade das escolhas) e a preguiça (preferir que outro faça por nós)fazem com que nos submetamos a algo ou alguém que julgamos ser mais capaz ou mais poderoso que nós mesmos. E essa situação gera um falso sentimento de conforto, que seria a idéia de que a "culpa" de qualquer efeito da escolha é daquele que nos submetemos anteriormente. Porém é uma idéia falsa, já que futuramente quem sofrerá às consequências da escolha é o escolhedor, não quem o influenciou na escolha. Daí, o pseudoconforto é a própria tensão, que devido a submissão/menoridade tem como efeito a falta de esclarecimento.
Sendo assim, para que nada disso ocorra, a escolha deve ser a mais autêntica possível, com mínima ou ausente menoridade e, mais que isso, nós devemos assumir a nossa escolha como sendo o que realmente desejamos e que NÓS desejamos. Não sei se consegui esclarecer meu ponto.

Unknown disse...

E quanto a idéia de que os políticos são nossos patrões...
Faz todo o sentido, Nat. Entretanto, a condição de menoridade dos cidadãos não pode ser colocada nas mãos deles com sendo responsabilidade deles. Isso nos torna mais submissos ainda. E outra, nada comprova que eles não sofram a menoridade, visto que qualquer um pode se deixar ser submetido a qualquer pessoa (opiniões são individuais e muito variadas. As pessoas se submetem a pessoas diferentes). Eles são pessoas como nós, como todos os cidadãos. Nós é que nos deixamos ser submetidos a eles, pois somos covardes e preguiçosos. Muitos deles se sentem muito mais fortes que uma dada população em geral, devido a covardia e preguiça dessas pessoas, mas eles também se submetem a superiores (hierarquia organizacional) ou até certos amigos e familiares pelos quais possuem muita consideração (que muitas vezes pode ser maior que a pela sociedade. E daí, sabe como é? O jeitinho brasileiro...).
Nat, espero que tenha me entendido. Eu gostei muito dos pontos que colocou. Primeiramente não havia pensado em nada disso (só tinha pensado na relação vestibular x vestibulando x pais).