quarta-feira, 27 de maio de 2009

Hegel - Opinião e Verdade

Senhoras e senhores do blog,
Parece que, o primeiro teste foi um sucesso relativo. Certo?
Então, vou colocar mais um texto aqui. Nesse momento, estou diante de Hegel, o filósofo alemão que conceitou a "Dialética". Nesse texto, ele faz uma defesa da filosofia como busca da verdade, e como uma "galeria de opiniões". Leiam, e vejam o que acham. Percebem que nosso amigo alemão não tem papas na línguas... seja lá o que isso quer dizer.
Abraço a todos!
Romulo.


Hegel - Introdução à história da filosofia.
Uma opinião é uma representação objetiva, um pensamento qualquer, uma fantasia que eu posso ter dum modo e outros de outro modo; uma opinião é coisa minha, nunca é uma idéia universal que exista em si e por si. Mas a filosofia não contém nenhuma opinião, porque não existem opiniões filosóficas. Descobrimos imediatamente a falta de cultura fundamental quando um escritor, ainda mesmo que se trate dum historiador da filosofia, se atreve a falar de opiniões filosóficas. A filosofia é a ciência objetiva da verdade, é a ciência da sua necessidade: é conhecer por conceitos, não é opinar nem deduzir uma opinião de outra. O ulterior significado próprio de tal modo de ver leva a considerar a história da filosofia somente como opiniões que nela se referem, empenhando-se em vincar bem o termo opinião. Ora, o oposto da opinião é precisamente a verdade, e diante da verdade empalidece a opinião.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Teste de Filosofia - Nietzsche

Senhoras e senhores,

Estou cercado por livros e textos de filosofia nesse momento da minha vida. Que já dura 8 anos. Então, decidi colocar um ou outro aqui de vez em quando, para que vocês possam comentar, criticar, falar mal, ficar maluco e se preparar para o vestibular... ( queles cara).

Coloquei um texto de Nietzsche, onde ele não está tão maluco quanto o normal. Como disse o Renato, é preciso tomar cuidado com esse bigodudo maldito. Sei que eu posso parecer burocrático, mas só passei a gostar desse filósofo depois que li esse texto. Ele se refere a o pensamento de Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo. Tales, um belo dia, afirmou que tudo é água. E, daí, meu amigo, tudo mudou. Vejamos porquê.

Abraço a Todos! Romulo.

Friedrich Nietzsche – Sobre Tales de Mileto.

A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estada de crisálida, está contido o pensamento: “Tudo é um”. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira dessa sociedade e no-lo mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego. Se tivesse dito: “Da água provém a terra”, teríamos apenas uma hipótese científica, falsa, mas dificilmente refutável. Mas ele foi alem do científico. Ao expor essa representação de unidade através da hipótese da água, Tales não superou o estágio inferior das noções físicas da época, mas, no máximo, saltou sobre ele. As parcas e desordenadas observações de natureza empírica que Tales havia feito sobre a presença e as transformações da água ou, mais exatamente, do úmido, seriam o que menos permitira ou mesmo aconselharia tão monstruosa generalização; o que o impeliu a esta foi um postulado metafísico, uma crença que tem sua origem em uma intuição mística e que encontramos em todos os filósofos, ao lados dos esforços sempre renovados para exprimi-la melhor – a proposição: “Tudo é um”.