Hey, Filósofos, sonhadores, cremes de vanilla e afins...
O blog não morreu! O fim não tem fim... Vocês sabem bem disso.
Vou colocar aqui mais um presente pra vocês e espero que comentem! Para aliviar a tensão F*** do vestibular!
- Quê??? Existe coisas além disso?
- Claro! Através do espelho, para fora da caverna, além do horizonte tem muito mais coisas. Ou não não.
Aqui vai um belo texto de Kant. Meus amigos, leiam e digam o que pensam disso. Kant é F**!
Para ajudar: esclarecimento = iluminismo.
abraço a todos!
Romulo V. Braga
Kant - O que é esclarecimento?
O esclarecimento é a saída do homem da condição de menoridade auto-imposta. Menoridade é a incapacidade de servir-se de seu entendimento de um outro. Esta menoridade é auto-imposta quando a causa da mesma reside na carência não de entendimento, mas de decisão e coragem em fazer uso de seu próprio entendimento sem a orientação alheia. Sapere aude! Tenha coragem em servir-te de teu próprio entendimento! Este é o mote do Esclarecimento.
Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarados livres da orientação alheia (naturalter maiorennes), ainda permanecem, com gosto e por toda a vida, na condição de menoridade. As mesmas causas explicam porque parece tão fácil outros afirmarem-se como seus tutores. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem consciência por mim, um médico que me prescreve dieta, etc.: então não preciso me esforçar. Não me é necessário pensar, quando posso pagar; outros assumirão a tarefa espinhosa por mim; a maioria da humanidade (aí incluído todo o belo sexo) vê como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado, para que estas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos quais devem andar, os tutores lhe mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar; basta, no entretanto, o exemplo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam novas tentativas.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
" Se eu me chamasse Raimundo"
Há alguns dias um certo acontecimento desencadeou uma série de pensamentos filosóficos curiosos. Bom, nada mais adequado do que compartilha-los num blog de filosofia
Não é nada de mais, mas espero que gostem e ignorem os erros , loucuras e o tamanho excessivo
Tudo começou num belo domingo de simulado de português. Digamos que ,no mínimo, gramática não é lá a matéria mais interessante de todas e por isso estava com uma certa preguiça. Ah, pra falar a verdade, não tinha a minima vontade de fazer aquela prova ( acho que todo mundo já passou por isso)
Então que veio a parte mais emocionante. Pode parecer meio maluco, admito, mas até que foi uma idéia boa. É, vendo agora é meio bobo mesmo. Vocês verão que ,apesar de tudo, funcionou e ,não fosse esse o caso, não teria parado para pensar
Antes disso é preciso contextualizar melhor. Nos dias anteriores eu estava relembrando alguns clássicos da minha infância: jogos de computador mesmo que tinham uma história interessante. Se não me engano foi o Starcraft, mas não faz muita diferença
Enfim, munido de um enredo e necessitando um incentivo para fazer o simulado eu tive esta idéia. Por que não deixar as coisas mais emocionantes? Fazer essa prova é muito chato! Não, eu não estou fazendo o simulado. Na verdade, essa prova é o exame de admissão para a tripulação do Gantrithor ( um nave que eu gosto muito nesse jogo)". Em outras palavras, eu tentei me colocar num contexto diferente
E não é que funcionou? Fiquei mais disposto a fazer o que tinha que fazer, afinal agora tinha um sentido bem maior, fictício, mas maior. Eu poderia ter imaginado qualquer coisa : que era para a tripulação do Pérola Negra ( bem mais conhecido, imagino) ou que tinha algo a ver com Harry Potter, ou Senhor dos Anéis ou até mesmo o Barney
o Fato é que eu, obviamente, sabia que aquilo não era verdade ( ainda não estou louco). E isso não faz diferença! Poderia ser uma besteira gigantesca que, se incentivasse a concentração na prova, já teria servido perfeitamente, até melhor que a realidade
Passado o evento, é possível tirar umas conclusões interessantes. Primeiramente, acho que se adequa muito bem àquela idéia de Jean Baudrillard de diversas realidades coexistindo, ou seja, ao mesmo tempo em que há o estudante do poliedro fazendo uma prova, há um herói imaginário em busca de um objetivo maior
Aliás, a própria idéia de "simulado" já é algo paralelo à realidade, porque você está no poliedro fazendo um prova, mas na verdade você está fazendo o vestibular, ou pelo menos deve agir como se estivesse. Bom, aqueles que leram o "Simulacro e simulações" , por favor, corrijam e adicionem mais idéias
Retomando o passado, podemos citar a mitologia. Me permitam a ousadia mas Zeus, Hermes, Apolo, etc não existem. Pelo menos não fisicamente, como retratado pelas histórias ( tenho de tomar cuidado para não começar aquela boa e velha discussão sobre o que existe ou não). Entretanto, isso não impediu os que acreditavam nos mitos de achar uma explicação para os fênomenos naturais. Pode não ser, para alguns, tão bom quanto um pensamento racional e científico, mas conseguiu cumprir um objetivo
Vamos deixar a discussão mais emocionante: analisemos as religiões de hoje. Pode ser que o Budismo, o Cristianismo, o Islamismo, ou qualquer outra fé esteja incorreta, no sentido de seus discursos não condizerem com a realidade. Como também podem estar corretas, no caso da existência do céu e do inferno, por exemplo. De forma analoga, elas ,independentemente da verdade, conseguem ensinar valores morais, éticos e até gerar bem-estar psicológico
Não é preciso ir muito longe para ver outros exemplos dessas 'mitologias" que nos cercam. A idéia de alma gêmea, por exemplo. Existe alguma fundamentação científica, teórica ou racional para ela? Creio que não, pois na verdade ela é fruto de um desejo e não de um pensamento. Afinal, acreditar que existe uma pessoa perfeita para cada um é uma idéia agradável de ter, mesmo que possa ser algo que nunca venha a acontecer( sem querer inferir que é uma idéia repudiável). Aliás, fico imaginando se em sociedades poligâmicas existe essa idéia, ou se há um conjunto de almas gêmeas
Criamos esse tipo ilusão à todo instante.Ilusão não no sentido pejorativo, mas por ser uma idéia pouco fundamentada em fatos concretos e racionais e mais em desejos , percepções e necessidades. De forma mais genérica, ao pegar algo imaginário, virtual ou emocional e atribuir valores concretos
Por exemplo, todo as formas de escapismos e fingimentos na literatura, fábulas, filmes ( ah, quem não chorou quando viu Rei Leão? Mesmo que se trata de uma animação), fronteiras, teatro, promessas,nomes ,alguns jogos, plano inclinado sem atrito ( como diria o prof. Daniel) ,nações , valores éticos e morais e muitos outros tantos. Três deles, entretanto, é conveniente falar mais detalhadamente
Primeiramente, as noções de ética, direitos humanos e afins já seriam idéias artificiais. Como disse David Hume, a ética é a lei sem a razão. Ou então, "direitos inalienáveis": não há nenhuma lei física ou lógica que governe a necessidade de tais valores, pelo contrário, eles foram convencionados como irrevogáveis por serem favoráveis à existência pacífica das pessoas e serem um desejo comum a quase todos indivíduos e , por isso, é algo que quase todos concordam ( sem querer sugerir que são errados).
Outro caso interessante é a idéia de hierarquia. A existência de um líder e vários outros cargos com diferentes priporidades é igualmente artificial, já que não há uma característica natural, inerente ou logicamente necessária que possa garantir de imediato essa divisão. Claro que há um propósito bem definido, meios para garantir a hierarquia e critérios de escolha, mas em termos de valor concreto se equipara a um grupo de crianças decidindo quem esconde e quem procura
E o meu caso preferido, a poliONU e outras simulações. É incrível como alguns delegados ficam tão imersos em outra realidade que mesmo sabendo que são alunos numa simulação ainda discutem como se realmente fossem representantes de seus respectivos países. Alguns choram, outros ficam bravos, outros, ao contrário, simplesmente não entendem o que fazem alí no momento. Bom, quem já esteve numa acho conhece bem
Pensando assim, a verdade e a realidade seriam meramente limitações físicas. Ou seja, contanto que não seja algo totalmente absurdo e que ,por isso, não possa ser confundido com o que captamos pelos sentidos, será efetivamente tão valido quanto algo que se atenha perfeitamente aos fatos concretos
Em outras palavras, um indivíduo poderia interpretar o mundo de uma forma completamente diferente da dos outros só que para ele seria a verdade. Uma boa ilustração disso está no "Adeus, Lênin" quando a mãe do protagonista acordo do coma e o filho começa a mascarar toda a realidade. Por exemplo, ele coloca produtos novos em embalagens da recém extinta URSS, inventa uma história de que a coca-cola é na verdade russa e outras ações, que fazem com que a mãe acredite numa realidade completamente diferente. E até que não é tão estranho, porque os fatos , do jeito que foram apresentados, eram coerentes
Talvez isso ocorra também em nossa sociedade de uma maneira sutil. Não somente pela mídia, mas em todos os conceitos que possuímos: a idéia de existência, individualidade, dimensionalidade, tempo, causalidade ( como diria David Hume) , consciência, etc. Idéias estas que são tão cotidianas que temos dificuldade de nos imaginar sem elas. Em palavras mais familiares, estariámos cegos?
Aliás, é algo curioso. Li em algum lugar que os bebês costumam chorar quando vêem outros chorando porque acabam achando que tem algo de errado com eles também, ou seja, não têm uma noção clara de individualidade. Ou também como outro filósofo, não lembro qual, disse que a noção de profundidade é gerada pelo tato nos primeiros meses de vida.
Nâo que seja precisa sair correndo e dizer "A vida é aritifical !", "Nós vivemos uma ilusão" e coisas do gênero. Até porque, independentemente de estarmos corretos ou enganados, em termos efetivos, a realidade, se é que esta palavra tem algum sentido, continuaria sendo a mesma. Acho conveniente citar uma frase que vi nos Simpsons: " o mundo real é para aqueles que não tem criatividade para criar algo melhor"
Bom, fica em aberto para cada um pensar o que quiser, o quão estranhos podem parecer alguns de nosso conceitos, o que mais se pode concluir de uma existência subjetiva, ou que eu estou viajando completamente ( nunca se sabe)
Espero que tenham gostado, apesar dos quase inveitáveis erros de português, incoerências, viagems, etc
Tomara que a filosofia também tenha gostado
Fiquem à vontade para comentar o que quiserem ( ou não).
Um grande abraço a todos ! Especialmente à LJCC,
Guilherme, cavas, gezuiz, profeta, nº6 ou oq for mais conveniente
ah ! e o trecho do poema de Carlos de Drumond que supriu a falta de criatividade para um título:
"Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução. "
Não é nada de mais, mas espero que gostem e ignorem os erros , loucuras e o tamanho excessivo
Tudo começou num belo domingo de simulado de português. Digamos que ,no mínimo, gramática não é lá a matéria mais interessante de todas e por isso estava com uma certa preguiça. Ah, pra falar a verdade, não tinha a minima vontade de fazer aquela prova ( acho que todo mundo já passou por isso)
Então que veio a parte mais emocionante. Pode parecer meio maluco, admito, mas até que foi uma idéia boa. É, vendo agora é meio bobo mesmo. Vocês verão que ,apesar de tudo, funcionou e ,não fosse esse o caso, não teria parado para pensar
Antes disso é preciso contextualizar melhor. Nos dias anteriores eu estava relembrando alguns clássicos da minha infância: jogos de computador mesmo que tinham uma história interessante. Se não me engano foi o Starcraft, mas não faz muita diferença
Enfim, munido de um enredo e necessitando um incentivo para fazer o simulado eu tive esta idéia. Por que não deixar as coisas mais emocionantes? Fazer essa prova é muito chato! Não, eu não estou fazendo o simulado. Na verdade, essa prova é o exame de admissão para a tripulação do Gantrithor ( um nave que eu gosto muito nesse jogo)". Em outras palavras, eu tentei me colocar num contexto diferente
E não é que funcionou? Fiquei mais disposto a fazer o que tinha que fazer, afinal agora tinha um sentido bem maior, fictício, mas maior. Eu poderia ter imaginado qualquer coisa : que era para a tripulação do Pérola Negra ( bem mais conhecido, imagino) ou que tinha algo a ver com Harry Potter, ou Senhor dos Anéis ou até mesmo o Barney
o Fato é que eu, obviamente, sabia que aquilo não era verdade ( ainda não estou louco). E isso não faz diferença! Poderia ser uma besteira gigantesca que, se incentivasse a concentração na prova, já teria servido perfeitamente, até melhor que a realidade
Passado o evento, é possível tirar umas conclusões interessantes. Primeiramente, acho que se adequa muito bem àquela idéia de Jean Baudrillard de diversas realidades coexistindo, ou seja, ao mesmo tempo em que há o estudante do poliedro fazendo uma prova, há um herói imaginário em busca de um objetivo maior
Aliás, a própria idéia de "simulado" já é algo paralelo à realidade, porque você está no poliedro fazendo um prova, mas na verdade você está fazendo o vestibular, ou pelo menos deve agir como se estivesse. Bom, aqueles que leram o "Simulacro e simulações" , por favor, corrijam e adicionem mais idéias
Retomando o passado, podemos citar a mitologia. Me permitam a ousadia mas Zeus, Hermes, Apolo, etc não existem. Pelo menos não fisicamente, como retratado pelas histórias ( tenho de tomar cuidado para não começar aquela boa e velha discussão sobre o que existe ou não). Entretanto, isso não impediu os que acreditavam nos mitos de achar uma explicação para os fênomenos naturais. Pode não ser, para alguns, tão bom quanto um pensamento racional e científico, mas conseguiu cumprir um objetivo
Vamos deixar a discussão mais emocionante: analisemos as religiões de hoje. Pode ser que o Budismo, o Cristianismo, o Islamismo, ou qualquer outra fé esteja incorreta, no sentido de seus discursos não condizerem com a realidade. Como também podem estar corretas, no caso da existência do céu e do inferno, por exemplo. De forma analoga, elas ,independentemente da verdade, conseguem ensinar valores morais, éticos e até gerar bem-estar psicológico
Não é preciso ir muito longe para ver outros exemplos dessas 'mitologias" que nos cercam. A idéia de alma gêmea, por exemplo. Existe alguma fundamentação científica, teórica ou racional para ela? Creio que não, pois na verdade ela é fruto de um desejo e não de um pensamento. Afinal, acreditar que existe uma pessoa perfeita para cada um é uma idéia agradável de ter, mesmo que possa ser algo que nunca venha a acontecer( sem querer inferir que é uma idéia repudiável). Aliás, fico imaginando se em sociedades poligâmicas existe essa idéia, ou se há um conjunto de almas gêmeas
Criamos esse tipo ilusão à todo instante.Ilusão não no sentido pejorativo, mas por ser uma idéia pouco fundamentada em fatos concretos e racionais e mais em desejos , percepções e necessidades. De forma mais genérica, ao pegar algo imaginário, virtual ou emocional e atribuir valores concretos
Por exemplo, todo as formas de escapismos e fingimentos na literatura, fábulas, filmes ( ah, quem não chorou quando viu Rei Leão? Mesmo que se trata de uma animação), fronteiras, teatro, promessas,nomes ,alguns jogos, plano inclinado sem atrito ( como diria o prof. Daniel) ,nações , valores éticos e morais e muitos outros tantos. Três deles, entretanto, é conveniente falar mais detalhadamente
Primeiramente, as noções de ética, direitos humanos e afins já seriam idéias artificiais. Como disse David Hume, a ética é a lei sem a razão. Ou então, "direitos inalienáveis": não há nenhuma lei física ou lógica que governe a necessidade de tais valores, pelo contrário, eles foram convencionados como irrevogáveis por serem favoráveis à existência pacífica das pessoas e serem um desejo comum a quase todos indivíduos e , por isso, é algo que quase todos concordam ( sem querer sugerir que são errados).
Outro caso interessante é a idéia de hierarquia. A existência de um líder e vários outros cargos com diferentes priporidades é igualmente artificial, já que não há uma característica natural, inerente ou logicamente necessária que possa garantir de imediato essa divisão. Claro que há um propósito bem definido, meios para garantir a hierarquia e critérios de escolha, mas em termos de valor concreto se equipara a um grupo de crianças decidindo quem esconde e quem procura
E o meu caso preferido, a poliONU e outras simulações. É incrível como alguns delegados ficam tão imersos em outra realidade que mesmo sabendo que são alunos numa simulação ainda discutem como se realmente fossem representantes de seus respectivos países. Alguns choram, outros ficam bravos, outros, ao contrário, simplesmente não entendem o que fazem alí no momento. Bom, quem já esteve numa acho conhece bem
Pensando assim, a verdade e a realidade seriam meramente limitações físicas. Ou seja, contanto que não seja algo totalmente absurdo e que ,por isso, não possa ser confundido com o que captamos pelos sentidos, será efetivamente tão valido quanto algo que se atenha perfeitamente aos fatos concretos
Em outras palavras, um indivíduo poderia interpretar o mundo de uma forma completamente diferente da dos outros só que para ele seria a verdade. Uma boa ilustração disso está no "Adeus, Lênin" quando a mãe do protagonista acordo do coma e o filho começa a mascarar toda a realidade. Por exemplo, ele coloca produtos novos em embalagens da recém extinta URSS, inventa uma história de que a coca-cola é na verdade russa e outras ações, que fazem com que a mãe acredite numa realidade completamente diferente. E até que não é tão estranho, porque os fatos , do jeito que foram apresentados, eram coerentes
Talvez isso ocorra também em nossa sociedade de uma maneira sutil. Não somente pela mídia, mas em todos os conceitos que possuímos: a idéia de existência, individualidade, dimensionalidade, tempo, causalidade ( como diria David Hume) , consciência, etc. Idéias estas que são tão cotidianas que temos dificuldade de nos imaginar sem elas. Em palavras mais familiares, estariámos cegos?
Aliás, é algo curioso. Li em algum lugar que os bebês costumam chorar quando vêem outros chorando porque acabam achando que tem algo de errado com eles também, ou seja, não têm uma noção clara de individualidade. Ou também como outro filósofo, não lembro qual, disse que a noção de profundidade é gerada pelo tato nos primeiros meses de vida.
Nâo que seja precisa sair correndo e dizer "A vida é aritifical !", "Nós vivemos uma ilusão" e coisas do gênero. Até porque, independentemente de estarmos corretos ou enganados, em termos efetivos, a realidade, se é que esta palavra tem algum sentido, continuaria sendo a mesma. Acho conveniente citar uma frase que vi nos Simpsons: " o mundo real é para aqueles que não tem criatividade para criar algo melhor"
Bom, fica em aberto para cada um pensar o que quiser, o quão estranhos podem parecer alguns de nosso conceitos, o que mais se pode concluir de uma existência subjetiva, ou que eu estou viajando completamente ( nunca se sabe)
Espero que tenham gostado, apesar dos quase inveitáveis erros de português, incoerências, viagems, etc
Tomara que a filosofia também tenha gostado
Fiquem à vontade para comentar o que quiserem ( ou não).
Um grande abraço a todos ! Especialmente à LJCC,
Guilherme, cavas, gezuiz, profeta, nº6 ou oq for mais conveniente
ah ! e o trecho do poema de Carlos de Drumond que supriu a falta de criatividade para um título:
"Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução. "
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Hegel - Opinião e Verdade
Senhoras e senhores do blog,
Parece que, o primeiro teste foi um sucesso relativo. Certo?
Então, vou colocar mais um texto aqui. Nesse momento, estou diante de Hegel, o filósofo alemão que conceitou a "Dialética". Nesse texto, ele faz uma defesa da filosofia como busca da verdade, e como uma "galeria de opiniões". Leiam, e vejam o que acham. Percebem que nosso amigo alemão não tem papas na línguas... seja lá o que isso quer dizer.
Abraço a todos!
Romulo.
Hegel - Introdução à história da filosofia.
Uma opinião é uma representação objetiva, um pensamento qualquer, uma fantasia que eu posso ter dum modo e outros de outro modo; uma opinião é coisa minha, nunca é uma idéia universal que exista em si e por si. Mas a filosofia não contém nenhuma opinião, porque não existem opiniões filosóficas. Descobrimos imediatamente a falta de cultura fundamental quando um escritor, ainda mesmo que se trate dum historiador da filosofia, se atreve a falar de opiniões filosóficas. A filosofia é a ciência objetiva da verdade, é a ciência da sua necessidade: é conhecer por conceitos, não é opinar nem deduzir uma opinião de outra. O ulterior significado próprio de tal modo de ver leva a considerar a história da filosofia somente como opiniões que nela se referem, empenhando-se em vincar bem o termo opinião. Ora, o oposto da opinião é precisamente a verdade, e diante da verdade empalidece a opinião.
Parece que, o primeiro teste foi um sucesso relativo. Certo?
Então, vou colocar mais um texto aqui. Nesse momento, estou diante de Hegel, o filósofo alemão que conceitou a "Dialética". Nesse texto, ele faz uma defesa da filosofia como busca da verdade, e como uma "galeria de opiniões". Leiam, e vejam o que acham. Percebem que nosso amigo alemão não tem papas na línguas... seja lá o que isso quer dizer.
Abraço a todos!
Romulo.
Hegel - Introdução à história da filosofia.
Uma opinião é uma representação objetiva, um pensamento qualquer, uma fantasia que eu posso ter dum modo e outros de outro modo; uma opinião é coisa minha, nunca é uma idéia universal que exista em si e por si. Mas a filosofia não contém nenhuma opinião, porque não existem opiniões filosóficas. Descobrimos imediatamente a falta de cultura fundamental quando um escritor, ainda mesmo que se trate dum historiador da filosofia, se atreve a falar de opiniões filosóficas. A filosofia é a ciência objetiva da verdade, é a ciência da sua necessidade: é conhecer por conceitos, não é opinar nem deduzir uma opinião de outra. O ulterior significado próprio de tal modo de ver leva a considerar a história da filosofia somente como opiniões que nela se referem, empenhando-se em vincar bem o termo opinião. Ora, o oposto da opinião é precisamente a verdade, e diante da verdade empalidece a opinião.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Teste de Filosofia - Nietzsche
Senhoras e senhores,
Estou cercado por livros e textos de filosofia nesse momento da minha vida. Que já dura 8 anos. Então, decidi colocar um ou outro aqui de vez em quando, para que vocês possam comentar, criticar, falar mal, ficar maluco e se preparar para o vestibular... ( queles cara).
Coloquei um texto de Nietzsche, onde ele não está tão maluco quanto o normal. Como disse o Renato, é preciso tomar cuidado com esse bigodudo maldito. Sei que eu posso parecer burocrático, mas só passei a gostar desse filósofo depois que li esse texto. Ele se refere a o pensamento de Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo. Tales, um belo dia, afirmou que tudo é água. E, daí, meu amigo, tudo mudou. Vejamos porquê.
Abraço a Todos! Romulo.
Friedrich Nietzsche – Sobre Tales de Mileto.
A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estada de crisálida, está contido o pensamento: “Tudo é um”. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira dessa sociedade e no-lo mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego. Se tivesse dito: “Da água provém a terra”, teríamos apenas uma hipótese científica, falsa, mas dificilmente refutável. Mas ele foi alem do científico. Ao expor essa representação de unidade através da hipótese da água, Tales não superou o estágio inferior das noções físicas da época, mas, no máximo, saltou sobre ele. As parcas e desordenadas observações de natureza empírica que Tales havia feito sobre a presença e as transformações da água ou, mais exatamente, do úmido, seriam o que menos permitira ou mesmo aconselharia tão monstruosa generalização; o que o impeliu a esta foi um postulado metafísico, uma crença que tem sua origem em uma intuição mística e que encontramos em todos os filósofos, ao lados dos esforços sempre renovados para exprimi-la melhor – a proposição: “Tudo é um”.
Estou cercado por livros e textos de filosofia nesse momento da minha vida. Que já dura 8 anos. Então, decidi colocar um ou outro aqui de vez em quando, para que vocês possam comentar, criticar, falar mal, ficar maluco e se preparar para o vestibular... ( queles cara).
Coloquei um texto de Nietzsche, onde ele não está tão maluco quanto o normal. Como disse o Renato, é preciso tomar cuidado com esse bigodudo maldito. Sei que eu posso parecer burocrático, mas só passei a gostar desse filósofo depois que li esse texto. Ele se refere a o pensamento de Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo. Tales, um belo dia, afirmou que tudo é água. E, daí, meu amigo, tudo mudou. Vejamos porquê.
Abraço a Todos! Romulo.
Friedrich Nietzsche – Sobre Tales de Mileto.
A filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estada de crisálida, está contido o pensamento: “Tudo é um”. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira dessa sociedade e no-lo mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego. Se tivesse dito: “Da água provém a terra”, teríamos apenas uma hipótese científica, falsa, mas dificilmente refutável. Mas ele foi alem do científico. Ao expor essa representação de unidade através da hipótese da água, Tales não superou o estágio inferior das noções físicas da época, mas, no máximo, saltou sobre ele. As parcas e desordenadas observações de natureza empírica que Tales havia feito sobre a presença e as transformações da água ou, mais exatamente, do úmido, seriam o que menos permitira ou mesmo aconselharia tão monstruosa generalização; o que o impeliu a esta foi um postulado metafísico, uma crença que tem sua origem em uma intuição mística e que encontramos em todos os filósofos, ao lados dos esforços sempre renovados para exprimi-la melhor – a proposição: “Tudo é um”.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
"A Filosofia e a Metafísica"
Estava eu, estudando matemática quando meu pai chegou para conversar comigo sobre um papo meio inesperado pra mim naquele momento. Sobre esse primeiro assunto não interessa muito, mas o nosso papo foi evoluindo até um ponto onde nós começamos a discuti sobre Existencialismo, Existencialismo Cristão e Idealismo.
O Existencialismo diz que a nossa essência é “moldada” pelo meio ambiente, portanto não existe uma essência pré-definida antes do nascimento, basicamente. Por exemplo: um jovem que nasce numa favela, que foi criado perto de traficantes, que foi mal tratado pelos pais. Que nunca teve nenhuma influência da religião. A essência, a personalidade e os princípios dele vão ser caracterizados por essa criação. O existencialismo diria que: um favelado nasce sem essência, mas ele nasce numa condição: a condição de favelado. Essa condição não vai criar sua essência. É simplesmente o meio no qual ele fará suas escolhas. Ele pode tanto escolher seguir a vida de traficante, como a de trabalhador. Sua essência vai depender de sua escolha situada num contexto.
O existencialismo cristão diz que nós somos sim “moldados” pelo ambiente, mas que as nossas emoções, sentimentos, reações e percepções nos foram dadas por Deus. Esse estado de espírito (não essência) que todos nós temos, foi Deus quem colocou em nós.
Já o idealismo diz que nós já nascemos com uma essência, que independentemente da nossa criação, já temos nosso caráter formado. Logo, todos os nossos atos serão consequências desse caráter, ou seja, dessa essência. Então o idealismo não permite mudança de caráter.
E no calor da nossa conversa, nós chegamos a um ponto em que, em se tratando se ser humano, nada é exato. Sempre haverá teorias para explicar comportamento das pessoas. Nesse sentido é que surgiram várias filosofias para explicar o mundo e as coisas. Aí meu pai soltou a seguinte frase: “...até há horas em que a filosofia beira a metafísica, por que há coisas que nós não conseguimos explicar, como: O homem possui uma essência antes da existência ou a existência antes da essência? A primeira opção quem diz são os idealistas, e a segunda são os existencialistas.” Como iremos provar então essa essência?! Isso é metafísica!
Nesse momento já era mais de 10h da noite e eu precisava ir dormir. E a Matemática ficou para outro dia. Mas eu precisava dividir essa conversa com vocês, foi tão legal, e tem tudo a ver com as nossas aulas!
Pensem mais sobre isso e me digam o que acharam :)
Beijo grande,
Natália
O Existencialismo diz que a nossa essência é “moldada” pelo meio ambiente, portanto não existe uma essência pré-definida antes do nascimento, basicamente. Por exemplo: um jovem que nasce numa favela, que foi criado perto de traficantes, que foi mal tratado pelos pais. Que nunca teve nenhuma influência da religião. A essência, a personalidade e os princípios dele vão ser caracterizados por essa criação. O existencialismo diria que: um favelado nasce sem essência, mas ele nasce numa condição: a condição de favelado. Essa condição não vai criar sua essência. É simplesmente o meio no qual ele fará suas escolhas. Ele pode tanto escolher seguir a vida de traficante, como a de trabalhador. Sua essência vai depender de sua escolha situada num contexto.
O existencialismo cristão diz que nós somos sim “moldados” pelo ambiente, mas que as nossas emoções, sentimentos, reações e percepções nos foram dadas por Deus. Esse estado de espírito (não essência) que todos nós temos, foi Deus quem colocou em nós.
Já o idealismo diz que nós já nascemos com uma essência, que independentemente da nossa criação, já temos nosso caráter formado. Logo, todos os nossos atos serão consequências desse caráter, ou seja, dessa essência. Então o idealismo não permite mudança de caráter.
E no calor da nossa conversa, nós chegamos a um ponto em que, em se tratando se ser humano, nada é exato. Sempre haverá teorias para explicar comportamento das pessoas. Nesse sentido é que surgiram várias filosofias para explicar o mundo e as coisas. Aí meu pai soltou a seguinte frase: “...até há horas em que a filosofia beira a metafísica, por que há coisas que nós não conseguimos explicar, como: O homem possui uma essência antes da existência ou a existência antes da essência? A primeira opção quem diz são os idealistas, e a segunda são os existencialistas.” Como iremos provar então essa essência?! Isso é metafísica!
Nesse momento já era mais de 10h da noite e eu precisava ir dormir. E a Matemática ficou para outro dia. Mas eu precisava dividir essa conversa com vocês, foi tão legal, e tem tudo a ver com as nossas aulas!
Pensem mais sobre isso e me digam o que acharam :)
Beijo grande,
Natália
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Sobre o inevitável destino
Há um certo tempo me surgiu a reflexão esta reflexão, inspirada de certa forma pelo David Hume e por interesses matemáticos
Bom, antes de tudo eu preciso de algo parecido com um axioma, um postulado: " De uma forma ou de outra, mesmo que você não seja capaz de compreender perfeitamente, as coisas que acontecem têm um sentido, uma razão lógica ou necessidade de acontecerem que levou-as a tal. Caso contrário, não teria sentido acontecer". Em outras palavras, não existe um evento puramente aleatório
Calma, vou explicar melhor, concordo que num primeiro momento essa idéia parece ser totalmente contrária ao empiricismo do Hume e também não tem nada a ver com um bem maior ou coisa do gênero.
Vamos pegar um exemplo famoso, da bola que foi solta e caiu no chão. Não podemos afirmar com certeza que ela caiu porque a mão foi aberta, nem por causa da gravidade, nem que ela vai cair toda as vezes que você pega-la e solta-la. Mas acho que seria apropriado dizer que ela caiu e se perguntar o por quê dela cair. Por que ela não saiu voando, ou não ficou parada, ou não explodiu, etc? Eu sinceramente não sei, porque, segundo o David, não há nenhuma necessidade lógica envolvendo a queda da bola. Na verdade, pra reflexão em questão, essas respostas ( se é que existem) não interessam muito. O importante mesmo é: a bola caiu.
Como dito, ela poderia ter feito várias outras coisas possíveis, mas ela só fez uma delas. O fato que se deve extrair disso é que, por algum mecanismo lógico ou ilógico, isso aconteceu. Supondo que não haja nenhum motivo, mas nenhum mesmo, de algo ocorrer, o que poderia decidir qual das possibilidades vai se concretizar? De alguma forma, algo definiu o que aconteceu, justamente porque isso ocorreu e não seria possível ocorrer sem alguém ter escolhido. Em outras palavras: Como A, então B, já que para que haja A, deve existir B. Novamente, de outro jeito: como foi feita uma escolha, então alguém escolheu, já que para que uma escolha tenha sido feita, deve ter tido alguém para escolher. ( E esse alguém, obviamente não é uma pessoa ). Vamos chamar esse algo genericamente de "mecanismo",na falta de uma palavra melhor. E se você acredita na física e não gosta do Hume fica mais fácil entender
Agora, vou me utilizar de outra ferramenta matemática, o princípio da indução finita. É um nome bonito pra algo bem simples: se você provar que sempre que uma regra funciona pra um caso, ela vai funcionar para o seguinte, a partir de determinado caso em que ela funciona ela vai sempre servir para os seguintes. É quase como um dominó: se você derrubar o primeiro, e se todos estiverem alinhados corretamente, os outros vão tombar naturalmente.
Voltando à idéia desse mecanismo: pegue um momento qualquer, por exemplo agora mesmo. Tente pensar em tudo, mas tudo que existe ou que não existe ou que ficaria no meio ( para não dizer que esquecemos da atividade de definir o que existe ou não). Existem muitas, ou até infinitas, dependendo da sua concepção de universo e dimensão, dessas possibilidades a serem definidas por esse mecanismo. Porém, o que fugiria dele? O que seria completamente arbitrário à partir desse momento? O problema é que pela lógica anterior, não há nada( eu pelo menos não vi) que fuja desse raciocínio e impeça de que ele continue. Aplicando a idéia de indução finita, percebe-se que tudo continuaria sendo definido por esse tal mecanismo, desde átomos, ou coisas menores que eles , ou algo totalmente diferente mas que corresponda melhor à realidade( odeio essa palavra). É uma visão muito próxima com a do dominó, só que muito mais abrangente.
Conseqüentemente, essa harmonia de acontecimentos que seguem tal mecanismo, mesmo que seja absurdamente complexa mas que de alguma forma possui uma certa lógica ou coisa do tipo atrás dela, poderia bem ser entendido como destino, já que tudo estaria conforme ela e estaria praticamente definido. Nesse cenário, o que ocorreria com a liberdade da Sartre? Ela, de certa forma, não existira, já que tudo já estaria definido? Talvez o "ser" esteja preso ao destino, mas o " nada" seja livre, se é que isso é possível. Obviamente, como nossas aulas algumas questões tem que ficar em aberto
Bom, espero que tenham gostado do post, apesar de um pouco grande, talvez confuso e de um ponto de vista contra o existencialismo, uma linha tão prezada pela Liga da Justiça Contra a Cegueira ( de fato, devíamos considerar a possibilidade de outro nome)
Obrigado,
Guilherme [ profeta]
Bom, antes de tudo eu preciso de algo parecido com um axioma, um postulado: " De uma forma ou de outra, mesmo que você não seja capaz de compreender perfeitamente, as coisas que acontecem têm um sentido, uma razão lógica ou necessidade de acontecerem que levou-as a tal. Caso contrário, não teria sentido acontecer". Em outras palavras, não existe um evento puramente aleatório
Calma, vou explicar melhor, concordo que num primeiro momento essa idéia parece ser totalmente contrária ao empiricismo do Hume e também não tem nada a ver com um bem maior ou coisa do gênero.
Vamos pegar um exemplo famoso, da bola que foi solta e caiu no chão. Não podemos afirmar com certeza que ela caiu porque a mão foi aberta, nem por causa da gravidade, nem que ela vai cair toda as vezes que você pega-la e solta-la. Mas acho que seria apropriado dizer que ela caiu e se perguntar o por quê dela cair. Por que ela não saiu voando, ou não ficou parada, ou não explodiu, etc? Eu sinceramente não sei, porque, segundo o David, não há nenhuma necessidade lógica envolvendo a queda da bola. Na verdade, pra reflexão em questão, essas respostas ( se é que existem) não interessam muito. O importante mesmo é: a bola caiu.
Como dito, ela poderia ter feito várias outras coisas possíveis, mas ela só fez uma delas. O fato que se deve extrair disso é que, por algum mecanismo lógico ou ilógico, isso aconteceu. Supondo que não haja nenhum motivo, mas nenhum mesmo, de algo ocorrer, o que poderia decidir qual das possibilidades vai se concretizar? De alguma forma, algo definiu o que aconteceu, justamente porque isso ocorreu e não seria possível ocorrer sem alguém ter escolhido. Em outras palavras: Como A, então B, já que para que haja A, deve existir B. Novamente, de outro jeito: como foi feita uma escolha, então alguém escolheu, já que para que uma escolha tenha sido feita, deve ter tido alguém para escolher. ( E esse alguém, obviamente não é uma pessoa ). Vamos chamar esse algo genericamente de "mecanismo",na falta de uma palavra melhor. E se você acredita na física e não gosta do Hume fica mais fácil entender
Agora, vou me utilizar de outra ferramenta matemática, o princípio da indução finita. É um nome bonito pra algo bem simples: se você provar que sempre que uma regra funciona pra um caso, ela vai funcionar para o seguinte, a partir de determinado caso em que ela funciona ela vai sempre servir para os seguintes. É quase como um dominó: se você derrubar o primeiro, e se todos estiverem alinhados corretamente, os outros vão tombar naturalmente.
Voltando à idéia desse mecanismo: pegue um momento qualquer, por exemplo agora mesmo. Tente pensar em tudo, mas tudo que existe ou que não existe ou que ficaria no meio ( para não dizer que esquecemos da atividade de definir o que existe ou não). Existem muitas, ou até infinitas, dependendo da sua concepção de universo e dimensão, dessas possibilidades a serem definidas por esse mecanismo. Porém, o que fugiria dele? O que seria completamente arbitrário à partir desse momento? O problema é que pela lógica anterior, não há nada( eu pelo menos não vi) que fuja desse raciocínio e impeça de que ele continue. Aplicando a idéia de indução finita, percebe-se que tudo continuaria sendo definido por esse tal mecanismo, desde átomos, ou coisas menores que eles , ou algo totalmente diferente mas que corresponda melhor à realidade( odeio essa palavra). É uma visão muito próxima com a do dominó, só que muito mais abrangente.Conseqüentemente, essa harmonia de acontecimentos que seguem tal mecanismo, mesmo que seja absurdamente complexa mas que de alguma forma possui uma certa lógica ou coisa do tipo atrás dela, poderia bem ser entendido como destino, já que tudo estaria conforme ela e estaria praticamente definido. Nesse cenário, o que ocorreria com a liberdade da Sartre? Ela, de certa forma, não existira, já que tudo já estaria definido? Talvez o "ser" esteja preso ao destino, mas o " nada" seja livre, se é que isso é possível. Obviamente, como nossas aulas algumas questões tem que ficar em aberto
Bom, espero que tenham gostado do post, apesar de um pouco grande, talvez confuso e de um ponto de vista contra o existencialismo, uma linha tão prezada pela Liga da Justiça Contra a Cegueira ( de fato, devíamos considerar a possibilidade de outro nome)
Obrigado,
Guilherme [ profeta]
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Guerra
Lembram da 'Liga da Justiça Contra a Cegueira' (eu ainda acho que devíamos trocar o nome.) ? A nossa tentativa modesta de 'mudar o mundo' ? Pois é, aqui está uma chance de ajudar a fazê-lo:
http://december18th.org/
Não interessa qual o seu lado nessa guerra entre israelenses e palestinos. Liberdade, certo?
Desculpem-me por não escrever um texto impressionante como têm feito a Stella e o Mestre, e como fizeram o Romulo e a Paulinha, porém detesto escrever, mas me senti na obrigação de espalhar esse site!
Só tenho a acrescentar que estou com muitas saudades de cada um de vocês! Principalmente dos comentários instigantes durante as nossas aulas! E das conversas depois delas.
Aproveitem o resto das férias! porque, infelizmente (ou felizmente), elas acabam!rs
Júlia Bosco
OBS: quem não estava presente durante a criação da nossa LJCC, é só me pedir que eu tenho tudo gravado e documentado.
http://december18th.org/
Não interessa qual o seu lado nessa guerra entre israelenses e palestinos. Liberdade, certo?
Desculpem-me por não escrever um texto impressionante como têm feito a Stella e o Mestre, e como fizeram o Romulo e a Paulinha, porém detesto escrever, mas me senti na obrigação de espalhar esse site!
Só tenho a acrescentar que estou com muitas saudades de cada um de vocês! Principalmente dos comentários instigantes durante as nossas aulas! E das conversas depois delas.
Aproveitem o resto das férias! porque, infelizmente (ou felizmente), elas acabam!rs
Júlia Bosco
OBS: quem não estava presente durante a criação da nossa LJCC, é só me pedir que eu tenho tudo gravado e documentado.
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